O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou neste domingo (22), em coletiva realizada em Nova Délhi, que pretende aprofundar a cooperação internacional com os Estados Unidos para combater o crime organizado e responsabilizar grandes envolvidos em esquemas ilegais. Segundo ele, o tema será tratado diretamente com o presidente americano Donald Trump durante reunião marcada para março.
De acordo com o presidente brasileiro, o objetivo é ampliar parcerias para enfrentar crimes como narcotráfico, tráfico de armas e lavagem de dinheiro. Ele afirmou que está disposto a trabalhar em conjunto com autoridades norte-americanas para garantir que responsáveis por grandes esquemas sejam punidos, inclusive aqueles que vivem fora do país.
“Qualquer coisa que puder colocar os magnatas da corrupção na cadeia, eu estou disposto a trabalhar”, declarou.
Lula destacou que esses criminosos não pertencem às camadas mais pobres da população. Segundo ele, muitos vivem em áreas nobres tanto no Brasil quanto no exterior, o que exigiria cooperação internacional para investigações e extradições.
Caso citado pelo presidente
Durante a fala, o chefe do Executivo mencionou uma operação envolvendo crimes no setor de combustíveis. Segundo ele, autoridades brasileiras bloquearam cerca de 250 milhões de litros de gasolina em navios e repassaram o material para a Petrobras. O responsável pelo esquema, afirmou, residiria em Miami, e informações já teriam sido enviadas ao governo americano.
O presidente acrescentou que pretende envolver órgãos como a Polícia Federal, o Ministério da Justiça e o Ministério Público nas tratativas com os Estados Unidos. O diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, integra a comitiva presidencial e deve participar das discussões.
Crime organizado como “indústria multinacional”
Na avaliação do presidente, o crime organizado atual funciona como uma estrutura globalizada, com ramificações em diferentes setores da sociedade e até em instituições públicas e privadas. Por isso, ele defende que o Brasil firme convênios com diversos países para fortalecer o combate conjunto.
Lula demonstrou otimismo em relação ao encontro com Trump e disse esperar avanços concretos após a reunião, afirmando que pretende “colocar as coisas bem a nu” e ampliar a cooperação bilateral no enfrentamento ao crime internacional.
Fonte: reportagem publicada pela Exame.






